Music -- Lounge

Agosto 19 2012

Faltam 4 horas e já se vêem pessoas equipadas a rigor, filas enormes para entrar no recinto, trocas de expectativas, nervosismo, ansiedade e confiança num bom resultado. Podia ser um cenário à entrada para qualquer final da Champions League mas não. É Paredes de Coura e consegue-se sentir o burburinho no ar, próprio de jogo grande. A quantidade de t-shirts não deixa enganar, Ornatos Violeta são a equipa da casa. No período de aquecimento houve The Go! Team - esforçados e com a mesma energia já vista anteriormente num concerto na Casa da Música - e Dead Combo - elegantes e de qualidade.

 

Terminado o aquecimento, a ascensão da antecipação faz-se forte, demasiado forte. A minutos da tal final sempre sonhada mas nunca realizada, a realidade ainda sai da boca de muitos disfarçada de espanto "Têm noção que vamos ver Ornatos Violeta? Agora a sério, têm mesmo?". À partida, a táctica inicial era já conhecida: o álbum "O Monstro Precisa de Amigos" tocado na íntegra. Restava combater as incertezas e medos sobre o resultado da partida: Será uma boa exibição? A vitória vai ser possível?                                                          foto: Hugo Lima 

 

Dá-se o apito inicial e a nossa equipa, os Ornatos Violeta, entra em campo e não mais pára de marcar golos. Ao final do 5º golo, "Ouvi Dizer", o avançado Manel Cruz decide falar aos adeptos: "Na minha terra diz-se foooda-se!". Manel, na tua terra não. Na nossa! E é mesmo isso: fooooooda-se! Em oito edições de Paredes de Coura, não me recordo de ver aquele anfiteatro cantar uma música daquela forma, em uníssono, seja de que banda for. 

A taça estava mais do que entregue já antes do intervalo e foi inacreditável ver uma devoção tão grande quanto honesta por uma banda nacional. O ambiente de antecipação, nervosismo, curiosidade e, depois, de celebração tornou a noite numa daquelas histórias para um dia contar aos netos.

 

 

Aos Chromatics coube a tarefa de prolongar o clima de celebração da vitória folgada de Ornatos Violeta. Estiveram com um pé no Porto há 2 anos mas o concerto de então foi cancelado no dia anterior. Desde então que se suspirava por nova oportunidade e o novo disco "Kill For Love" só veio reforçar esse sentimento. Por limitações de horários festivaleiros, os Chromatics tiveram direito apenas a uma hora de concerto. Assim, foi de grande perspicácia que a banda optou por apresentar as suas músicas quase em jeito medley.

A entrada fez-se com "Tick Of The Clock", que ganhou fama por marcar presença na banda sonora do filme Drive. Ruth, a vocalista trés chic, encarna na perfeição o conceito musical dos Chromatics: ora enigmático, ora sensual. Ao vivo, as músicas tornam-se expansivas e até com mais nervo. Com Johnny Jewel, o mago das teclas e obreiro máximo da banda, "Back From The Grave", "I Want Your Love", "In The City" e "Hands In The Dark" foram armas de dança maciça.

No encore (pausa algo descabida para um concerto de 1 hora), ouviu-se a maravilhosa cover de "Running Up The Hill", original de Kate Bush, e "Night Drive", esta última que foi o primeiro contacto com a banda, há 5 anos, e de alguma forma é a mais especial. Que regressem rápido! Num ambiente mais pequeno (olá, Plano B).

 

 

publicado por music--lounge às 13:20

Julho 26 2012

Primeiro em Lisboa e depois no Porto, os concertos de Bon Iver, nos coliseus de cada cidade, foram tudo o que se esperava e ainda mais alguma coisa. Em Lisboa, num coliseu de calor insuportável, houve "Flume", "Woods" e "For Emma". Houve também uma qualidade de som não muito boa e alguns gritos histéricos, por parte de alguns espectadores, em alturas em que se recomendava absorver em silêncio a cristalina música.

 

No Porto, sem mudar muito a setlist, no lugar das músicas referidas atrás, houve "Michicant", "Beach Baby" e...."Who is it" uma cover de Bjork (!!!). Ao contrário do concerto da capital, no Porto o silêncio de contemplação foi sagrado, fazendo de "Re:Stacks" um dos momentos mais bonitos da noite. O concerto na cidade invicta beneficiou também com uma melhor qualidade de som, o que nem sempre acontece naquela sala.

 

Dos dois dias "passados" com Bon Iver, ficarão na memória músicas como "Perth", "Blood Bank" e "The Wolves", responsáveis pelos momentos de catarse.

 

 

 

publicado por music--lounge às 01:48

Junho 11 2012

Terminou o festival Primavera Sounds e está na hora do rescaldo.

Para primeira edição o balanço é altamente positivo.

Como pontos fortes temos a oferta de concertos, o local, o público e uma grande vitória da música no geral.

Pontos negativos a rever: os cancelamentos (Death Cab For Cutie terá sido o único com culpas da organização, imperdoável), as falhas técnicas (nenhum dos palcos tinha um único foco apontado aos artistas, várias vezes a iluminação foi apenas a do próprio palco; algumas falhas no som, ora mal misturado ora nem sequer ligado num dos lados) 

publicado por music--lounge às 16:40

Setembro 01 2011

Perfeito. Tudo.

            

 

publicado por music--lounge às 23:31

Agosto 11 2011

O cardápio musical no festival Sudoeste nunca é dos melhores. Este ano não foi excepção. Contudo, The National, dEUS, Interpol e Kanye West lá safaram a carência qualitativa global do festival.

 

[+] Os dEUS, relegados para o palco secundário (heresia!), transformaram a actuação num vendaval rock, que só por estar a acontecer no local em questão é que não ganhou contornos inesquecíveis. Tom Barman, o vocalista, rockeiro à antiga, entrou disposto a causar o caos tocando a guitarra nos limites da violência. A ligação da banda com o nosso país é, desde há muito tempo, muito forte e foi disso mesmo que se socorreram para convocar todos os presentes a alinharem no turbilhão com que a actuação se tornou. A hipnótica "Bad Timing" (favorita aqui deste lado), a irresistível "Instant Street", a doce "Nothing Really Ends" e a caótica "Suds & Sodas" não faltaram à festa e foram os pontos altos. A banda aproveitou, ainda, para dar a conhecer duas músicas novas que deixaram muito boas indicações para o novo álbum que deverá chegar no Outono.

 

[+] Depois, houve Kanye West. Fora dos meus gostos, acabou por surpreender pelo espectáculo montado. A verdade é que a cada início de uma nova música se tornava impossível não acompanhar os ritmos que vinham do palco. As músicas são, todas elas, bem estruturadas, como mandam as regras, aliando as batidas a refrões efusivos e fáceis de acompanhar. "Flashing Lights" e "Touch the Sky" acabaram por ser os momentos mais interessantes da actuação. Boa surpresa.

 

 [+] Os Interpol, que chegaram com um atraso de 30 minutos, enfrentaram uma plateia a meio-gás (heresia, pt.2). Facto curioso: olhando em volta, a média de idades do público presente era bem mais alta do que no que se tinha visto no resto do festival. Desde 2007 que não os via ao vivo e as saudades já apertavam. A actuação foi curta e fria mas nem por isso deixaram de dar um bom concerto. Para isso, muito contribuiu a boa qualidade do som. Momento da actuação aconteceu com "Hands Away", a preferida e algo esquecida nos concertos, e ainda com "Leif Erikson", ambas do imaculado "Turn On The Bright Lights". No fim, o concerto serviu como um abraço de alguém que já não vemos há muito tempo e que nos conforta mas que esperamos não estar tanto tempo à espera para um novo encontro.

 

[+] Por fim, os The National. Ao 6º concerto, terá sido o mais morninho que vi. Não tanto por culpa da banda mas do público. Recinto bem mais composto mas, por incrível que pareça, apenas porque já havia muita gente a ganhar posição para uns tais de Swedish House Mafia (que viria mais tarde a ficar a conhecer a música «chunga-de-carrinhos-de-choque-temperada-com-azeite» desta banda(?)). O concerto dos National não variou muito do que tinham feito em Maio, no Coliseu do Porto. Contudo, a juntar à ausência de Padma, o senhor do violino, desta vez também um dos elementos da secção de sopro estava ausente - se não me engano está em digressão com os Beirut. Estas duas ausências acabaram por se fazer notar, sobretudo durante a Fake Empire, England ou Cardinal Song onde as músicas perderam claramente fôlego. Ainda assim, a banda deixa sempre um miminho especial e diferente e, desta vez, foi a inclusão da fantástica "Son" do primeiro álbum da banda. Deu ainda tempo para despentear o Matt na sua habitual incursão pelo meio do público. Dadas as circunstâncias, valeu a pena.

 

[-] Todos os anos é a mesma coisa. É um festival com mau ambiente, mau público, roubos no campismo, barulhos de concertos em palcos alheios, etc. A solução passa por uma atitude autista, fechando-nos no nosso mundo e tentar esquecer o antro onde estamos metidos. Para juntar a isto, há ainda a nova moda de transformar um concerto num café, com conversas, gargalhadas, fotografias e que está a crescer a uma velocidade assustadora e que já no Super Bock Super Rock tinha acontecido. Para a semana há Paredes de Coura e espero que lá ainda se mantenha o respeito pela música. Pelo menos é assim que conheço Coura.

 

publicado por music--lounge às 15:16

Agosto 09 2011

[+] Balanço positivo para esta edição do SBSR. Os "graúdos" brilharam em grande força, não desapontando minimamente, o que nem sempre acontece. Os Arctic Monkeys limparam a má imagem deixada no concerto no Coliseu do Porto e deram, no Meco, um dos concerto do ano. Foi o chamado concerto de arrebentamento.

 

No segundo dia, Portishead e Arcade Fire eram (e foram!) os reis da noite. Não era tarefa fácil superar os concertos memoráveis de 2008 (Portishead, Coliseu Porto) e 2005 (Arcade Fire, Paredes de Coura). Na verdade não superaram mas estiveram lá perto. Enquanto os primeiros foram arrebatadores na frieza cirúrgica com que estão em cima do palco, no caso dos Arcade Fire, foi a comunhão "música/espectáculo visual" que viria a tornar a noite inesquecível. Sabe bem ver os Arcade Fire ao vivo, sem tempos mortos e sempre de pé no acelerador.

 

No último dia, foi a vez dos graúdos Strokes também mostrarem estar em grande forma. Apesar de curto e sem encore, deixaram comprovado a razão porque são referências para a música da primeira década do séc XXI. Munidos de um cenário visual simples mas vistoso, percorreram os muitos hinos da discografia. Pena ter sido já no último dia, com os festivaleiros já em claro desgate físico, pois poderia ter sido ainda mais celebrado.

 

[+] Para além dos graúdos, duas bandas deram igualmente grandes concertos: The Walkmen, que abriram com chave de ouro os concertos "a sério" no palco principal do festival, e Elbow que, deu para perceber, eram desconhecidos para a grande maioria. No caso dos Walkmen foi a simpatia do vocalista e a força da actuação a marcar pontos entre o público. Já os Elbow surpreenderam todos ao espalharem classe num concerto absolutamente irrepreensível só ao alcance de uma banda que já anda nisto há muitos anos, como é o caso.

 

[+/-] Os Tame Impala e Slash acabaram por ser surpresas interessantes por razões diferentes. Os Tame Impala lembraram-me a mesma sensação que os Temper Trap me deixaram na actuação de Paredes de Coura há uns anos atrás: esta malta, com juízinho, tem um bom futuro pela frente. Apesar de os Temper Trap terem uma vocação infinitamente mais comercial e acessível do que os Tame Impala, ficou a sensação de que os Tame Impala estão sustentados em boas referências musicais aplicadas a idéias bem interessantes na construção das suas músicas, que vivem muito do psicadelismo a lembrar um cruzamento entre Pink Floyd e os Ariel Pink.

No caso do Slash, a surpresa acabou por acontecer mais pela presença da figura icónica do protagonista do que pela música. O "rock camionista", como alguém lhe chamou, não me cativa mas não deixou de ser incrível ver actuar um dos melhores guitarristas de sempre.

 

[-] Os problemas do festival já são mais do que conhecidos: muito pó, campismo mal organizado (apesar do aumento de lotação) e acessos problemáticos. A juntar a isto, este ano, a qualidade de som não foi, nem de perto nem de longe, a melhor. Para os mais atentos, não falei do concerto dos Beirut, um dos mais esperados. A razão é simples: o som desse concerto esteve deplorável. Acordeão, ukelele e instrumentos de sopro estiveram quase sempre em silêncio, o que para as características da música de Beirut é practicamente assassinar a actuação. Arcade Fire e Strokes sofreram também com algumas deficiências no som.

publicado por music--lounge às 22:03

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