Music -- Lounge

Maio 30 2010

Quarto texto da inteira responsabilidade da (sempre) atarefada Pinipon:

 

Mil Culturas em voz angelical

 

E é de uma forma contagiante que a aclamada nova estrela do pop nos puxa à dança durante os seus concertos. Mas engane-se quem acha que esta é americana ou europeia. A China chegou bem alto mais uma vez, e agora foi pelo meio musical.

 

Sa Dingding. É assim que se chama a nova rainha do momento. Proveniente da Mongólia, a “Björk chinesa”, passou a sua infância a viver nas montanhas com a sua avó até se tornar numa adolescente nómada e autodidáctica. Aprendeu sozinha o Sânscrito – idioma litúrgico do Budismo e Hinduísmo – e o tibetano. Senhora de uma voz aguda e tipicamente asiática, tem talento para dar e vender.

 

O seu a vontade e talentos com vários idiomas, abriram-lhe portas a diferentes culturas para os lados do longínquo Este, introduzindo também por sua vez, a cultura ancestral nas sociedades ocidentais.

 

Ficou conhecida como sendo a melhor cantora de música dançável, não só pelo seu aspecto irreverente, mas também por ter tido a sorte da sua música “Holy Incense” ter feito parte do filme “Prince of the Himalayas” em 2006.

Em 2007 lança “Alive”, considerado pela crítica, como sendo o seu melhor álbum editado.

 

Vencedora do BBC Radio 3 World Music Award em 2008, a música de Sa Dingding representa a China moderna, combinando de um modo radiante, ritmos de diferentes regiões da Ásia incluindo o Tibete e a Mongólia com a electrónica do Oeste e influências de música clássica e soul. O resultado desta mistura no mínimo estranha? Um riquíssimo tapete de música étnica, de escape e eclética que difere de tudo o que já foi feito por este Mundo fora.

 

O seu mais recente álbum, “Harmony” foi lançado em Janeiro do presente ano e contém nove melódicas músicas cantadas em chinês, que entram num ápice no ouvido.

 

Acompanhada de um baixista, baterista, teclista, tocadores de instrumentos tipicamente asiáticos como baile e guzheng e senhora dona de uma beleza leve e angelical, Sa Dingding faz deste inexplorado Mundo, uma experiência maravilhosa recheada de prazer inesperado.

 

Esteve recentemente presente no IX Festival Internacional pela tolerância, “Múrcia Três Culturas” em Múrcia Espanha que tenta, através de concertos, colóquios, cursos e cinema mostrar um pouco de culturas pouco exploradas que são, ainda, desprezadas na nossa sociedade.

 

publicado por music--lounge às 21:35

Outubro 26 2009

Aqui fica o terceiro texto da Pinipon:

 

 

O sedento senhor Bauhaus

De porte esguio e elegante, pele branca como a de um vampiro e uma voz grave e profunda, Peter Murphy é considerado o padrinho da música gótica. Este senhor, oriundo de Inglaterra, é o ícone musical dos anos 80 e ficou conhecido por ser o vocalista da famosa banda Bauhaus.

 

Com uma poesia melancólica, muitos críticos reprovam a sua música por ser demasiado metafórica e por utilizar demasiados “apetrechos” religiosos e metafísicos.

 

É ainda na sua juventude, que Murphy conhece Daniel Ash, David J. e David Haskins no Colégio e decide formar os Bauhaus. O primeiro álbum “Bela Lugosi is Dead é gravado em 1979 convertendo-se numa das formações musicais impulsionadoras do sinistro movimento after-punk, paralelamente com bandas como Joy Division.

 

São os primeiros álbuns “In The Flat Field” (1980) e “Mask” (1981) que fazem com que os Bauhaus alcancem um número imenso de seguidores e passem a fazer parte da lista independente de êxitos britânicos, feito que lhes permitiu expandir popularidade por toda a Europa e grande parte do continente americano.

 

Devido ao elevado aumento de popularidade de Murphy, e ao facto de ter dado a cara pela marca Maxell numa campanha publicitária, o resto dos elementos da banda começam a irritar-se por estarem a ser postos para segundo plano pelos meios de comunicação social.

 

É então durante a gravação do quarto álbum “Burning From The Inside” que se dá o fim dos Bauhaus. Uma forte pneumonia pôs Murphy um pouco de lado, o que deu a oportunidade aos restantes elementos da banda de terminarem o álbum sem qualquer consentimento do líder.

 

1985 marca o ano de início de uma carreira a solo por parte de Peter Murphy. "Should the World Fail To Fall Apart" é o nome do primeiro álbum do cantor em 1986. Contudo, nem o single “Final Solution” nem o álbum, conseguem atingir a popularidade que Murphy esperava, mas serviram para abrir um trilho no mercado americano.

 

Em 1987 Peter Murphy conhece o teclista Paul Statham que acabará por ser o seu grande colaborador no que diz respeito a composições até ao ano de 1995. Em 1988 edita o seu primeiro disco de êxito “Love Hysteria”. Um trabalho comercial e muito mais pop. “All Night Long” é o primeiro single a ser extraído do álbum que atinge uma popularidade exorbitante devido ao canal musical MTV.

 

Depois de uma pequena digressão pelos EUA e Europa durante 1988 e 1989, Murphy alcança o seu máximo êxito comercial com o álbum “Deep”, editado em inícios de 1990. E são os anos 90 que desenham um Peter Murphy vestido de couro preto e cabelo louro platinado e que lhe voltam a dar outro êxito, desta vez com “Strange Kind of Love” editado em três versões diferentes e que levam Murphy a converter-se ao islamismo centrando domicílio permanente na Turquia.

 

Com a edição de “Holy Smoke” em finais de 1992 Murphy já não consegue atingir o derradeiro êxito de “Deep”, em parte devido à onda grunge que se tinha alastrado pela veia musical. Outra causa para o pouco êxito do cantor, deveu-se à má coordenação da editora na escolha das músicas que serviriam de singles. Murphy volta a desaparecer.

 

Em 1995 o cantor edita “Cascade”, sendo esta a sua última colaboração com o compositor Paul Statham. O disco produzido pelo aclamado Pascal Gabriel mostrava um lado mais comercial e electrónico do cantor, mas nem isso fez com que o êxito aumentasse. Nem a famosa “The Scarlet Thing In You” dos The Cure ou a “I’ll Fall With Your Knife” tiveram uma grande evolução na lista de singles com êxito.

 

Em 2008 o cantor esteve no nosso país, actuando na primeira noite do Festival Marés Vivas em Gaia. Aí, miúdos e graúdos deliciaram-se com os temas mais conhecidos e desejados de Murphy. Nessa noite o vampiro evocou todo o seu passado musical levando ao rubro quem estava presente.

 

publicado por music--lounge às 20:07

Outubro 14 2009

Rapariga muito ocupada lá conseguiu arranjar um tempinho para a edição nº2 do seu espaço. Aqui fica o segundo texto da Pinipon:

 

 

A promessa australiana

 

A nova menina bonita do pop electrónico, de seu nome Ladyhawke, já conta com um passado bastante promissor no que diz respeito a musicalidades.

 

Nascida em Wellington, Nova Zelândia, Pip como é conhecida entre amigos, nasceu no seio de uma família já de si bastante musical uma vez que a mãe era cantora e o padrasto baterista.

 

Contudo nem sempre tudo foi fácil para a nossa Pip Brown. Durante a sua infância, várias doenças e alergias obrigaram-na a entrar e a sair constantemente do hospital. Aos 10 anos contrai uma doença comum entre animais marinhos, que é dificilmente combatida, uma vez que esta era alérgica a penicilina, anti-histamínicos e antibióticos, colocando-a em coma e bastante perto da morte.

 

Contudo, nada disto fez com que a sua paixão pela música desvanecesse. Em Wellington, Pip forma uma banda chamada Two Lane Blacktop com alguns amigos, tendo o papel de guitarrista. Ela descreve a banda como sendo a combinação perfeita entre o irreverente Iggy Pop e a mítica banda The Clash. Mas o seu grande momento musical dá-se quando vai tocar com a banda no notório clube nocturno nova-iorquino CBCG. Aí, Brown decide que a música tem mesmo de fazer parte da sua vida profissional.

 

Anos depois de se mudar para Melbourne, junta-se a uma banda designada de Teenagers, mas depressa se lança num projecto a solo. Adopta o nome de Ladyhawke (personagem de um filme com o mesmo nome interpretada pela actriz Michelle Pfeiffer) e aparece pela primeira vez em 2008 com a música “My Delirium” em número 11 e o single “Paris is Burning” na 26ªa posição do top. 

 

É notável a influência musical dos anos 80 na sonoridade de Ladyhawke. Várias vezes é aclamado o nome de Electric Light Orchestra, por parte de Ladyhawke como sendo um dos álbuns que mais aprecia. Bandas como Nirvana e Pearl Jam fazem parte do seu leque de apreciações e já actuou com a excêntrica Peaches.

 

Neste momento, Ladyhawke está a gravar o segundo álbum, cuja data de lançamento ainda é desconhecida.

 

publicado por music--lounge às 22:00

Agosto 18 2009

O objectivo deste blog sempre foi o de ser um espaço onde a música possa circular livremente. Como tal, estou sempre disponível para receber opiniões ou textos para os colocar aqui sempre que se mostrarem interessantes.

 

Posto isto, irá passar a existir aqui um espaço de nome "Cantinho da Pinipon" da inteira responsabilidade de uma só pessoa (aspirante a jornalista) que, tal como eu, vive intensamente a música. Porquê "Cantinho da Pinipon"? Porque sei que a irrita profundamente sempre que lhe chamo de pinipon    :)

 

Feitas as apresentações, aqui fica o primeiro texto da Pinipon:

 

O senhor que morreu jovem

 

Os anos 70/80 vêm modificar e muito o panorama musical tal e qual os nossos pais o conheciam. Os riffs de guitarra mais Beatlizados, o “ar limpinho” dos Beach Boys, os sons mais Boggie Night de Aretha Franklin, dão lugar ao mundo punk, anárquico, que proclamava uma nova era musical com a sua atitude ousada. Daí nascem bandas como Sex Pistols e The Clash que seriam os mentores de futuras bandas post punk.

 

 Esta também foi uma época de mudança. Entraram as drogas (mais pesadas), os estilos mais straight e as mortes prematuras. Hoje, estas características estão associadas a um rock mais melancólico, triste, diria a roçar o gótico e desmazelado. E foi a melancolia (e doença crónica), que levaram um dos cantores e compositores mais esquecidos da história musical (se compararmos a outros jovens e falecidos cantores como Janis Joplin, Jim Morisson, Jimi Hendrix ou mesmo Kurt Cobain) a suicidar-se. Falemos então de Ian Curtis, mentor e líder dos Joy Division.

Há músicas que nos fazem renascer, outras que ajudam a morrer. Idiot ou não, Ian Curtis morreu ao som da mesma de Iggy Pop no dia 18 de Maio de 1980. Enforcado e encontrado na manhã seguinte pela mulher Debbie, Ian Curtis foi um verdadeiro mestre na arte de escrever.

 

Foi após um concerto de Sex Pistols em 76, que Ian Curtis (na altura trabalhador na Assistência Social), Bernard Sumner (guitarrista) e mais dois elementos, decidiram formar uma banda, de nome Warsaw. Este nome provinha de uma música de David Bowie, e a banda deu o seu primeiro e único concerto em 77 no Electric Circus. Warsaw viria a ser mudado para Joy Division, tal e qual o bordel da famosa série de 60 The House of Dolls.

 

A persistência e força de vontade de Ian Curtis (que era doente de epilepsia) ajudou a banda a assinar um contrato com a Factory Records (editora que lançou bandas como Happy Mondays, James, Sex Pistols, New Order e The Wendys para as luzes da ribalta) que durou cerca de 3 anos, abrindo-lhes várias portas, incluindo a sua estreia na televisão com a mítica Shadowplay.

 

Na forma de se mexer, o líder dos Joy Division era espantoso, mas na escrita, Ian era subtil mas marcante. Escrevia sobre vivencias, acontecimentos e sentimentos próprios sem que ninguém notasse. Escreveu Love Will Tear Us Apart para a mulher Debbie relatando o sofrimento e afastamento que sentia na relação de ambos, um pouco por causa de uma relação extraconjugal que mantinha com Annik Honoré (jornalista) a quem dedicou (um pouco indirectamente) a música Isolation. Música extremamente dançável e com um forte conteúdo, esta foi das últimas letras a serem compostas pelo autor. Já Digital marca o fim da banda.

 

Ian Curtis já tinha tentado o suicídio quando ingeriu vários medicamentos de uma vez. Saído do hospital é levado pelo guitarrista até ao cemitério para lhe mostrar onde poderia ter ido parar caso a overdose tivesse sido fatal. Irónico ou não, a verdade é que dias antes de começarem a sua tournée mundial, os Joy Division têm de terminar para sempre.

 

O menino com voz de adulto ficara mudo. Ian Curtis enforcara-se na cozinha de casa, deixando em branco um papel que jamais será preenchido por outro ser humano.

 

publicado por music--lounge às 02:09

Sala de estar onde a musica entra por todo o lado
hilikus@Lounge
Palavras...
"My main musical influences? Love, anger, depression, joy and dreams......and zeppelin!" - Jeff Buckley
pesquisar
 
arquivos
2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


blogs SAPO